segunda-feira, 30 de abril de 2012

Se você soubesse...

Ah, meu amor, se você soubesse...

As suas perspectivas - elas, sim - me tornam único. Não é por carregar algo que me diferencie, porquanto os adjetivos que me são peculiares tornam-me o menor de todos; mas é pelo seu olhar, que de forma tão intensa faz com que eu me sinta grande; seu carinho parece tomar-me pelas mãos, enquanto seu sorriso meigo ergue meu olhar a um horizonte sem limites.

Ah, meu amor, se você soubesse...

As minhas (no seu conceito) capacidades não passam de esforços para garantir a força do que suas declarações geram em mim. Uma simples palavra sua, ao permear a terra das minhas paixões, traz consigo todas as minhas estações e seus devidos frutos: você consegue provocar em mim as mais profundas reações, de um extremo ao outro, e ter para si, em seu colo, tudo de mim que é possível dar a você.

As mensagens enviadas pelo meu coração, por cada gesto seu, às minhas razões causam em meu consciente uma agitação para suprir, em palavras, a intensidade que tão suavemente sobrecarrega minha tão (nessas horas percebo) limitada capacidade de decifrar, descrever e alimentar o que o coração requer. Só você consegue. Definitivamente, preciso do seu amor, do seu carinho, do seu cuidado e da sua atenção. Pela sua perspectiva, é uma deliberada fluência que tanto a você cativam; sob a minha, é uma insuficiente (sua doçura e seu sorriso fazem-me aquietar realizado, ainda que sinta que você é digna de muito mais) maneira de tocar-lhe como me sinto tocado por você.

Ah, meu amor, se você soubesse...

Se consigo ler seu olhar é tão-somente por amar o mar que nele há. A beleza que me paralisa. Passaria o tempo sem notar os minutos que aceleradamente se vão de ferente para ele, a comtemplar-lhe as incomparáveis maravilhas, apenas sentindo a brisa - que é a sua voz - a penetrar-me. Não consigo tirar deles a vista. Logo, cada onda, cada surpresa, cada movimento, seja sob fortes e eufóricas ondas ou debaixo de um luar que não se mostra tão inspirador... eu a percebo porque não tiro de você o meu olhar. Porque amo surpreender-me a cada dia em quanto você é linda.

Ah, meu amor, se você soubesse...

O desejo que tenho em abraçá-la, protegê-la, amá-la como nunca imaginou que fosse possível - nem eu conceberia se esse amor não viesse de uma fonte suprema, a do nosso Pai. O desejo do meu coração em dar-lhe colo, simplesmente para ouvir sua voz manhosa; em abraçá-la com o único intuito de tê-la, com braços encolhidinhos em meu peito, perto de mim. Sentir o seu calor, ouvir cada suspiro seu... Ah, amor, se você soubesse... 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Breves eternas declarações


Já não procedo a um pensamento sem, ao menos, ouvir ao fundo sua voz ecoar. Ainda que eu percorra a maior das distâncias, sua doçura se revela na imagem do seu rostinho ao meu lado. Definitivamente, você é parte inseparável de mim. Atesto isso quando percebo o pronunciar do seu nome em cada recôncavo de mim, ecoado pelas batidas do meu coração.

Um sorriso é incontido quando vejo seus olhos ou ouço a sua voz, a despeito da sensibilidade negada pela dureza do orgulho que só clama por você. Não adianta. Tentar fugir da sua voz ou do seu olhar é em vão, porquanto as paredes das minhas lembranças estão cheias de quadros seus. 

Longe do seu abraço há frio. Não simplesmente pela ausência do toque que acalenta, mas pela ausência de sua alma, que se entrelaça à minha e nos envolve como labaredas, numa dimensão que só pode ser interpretada pelo nosso coração. Nesse lugar, o silêncio é a mais precisa das falas – quando os nossos corações propriamente decodificam a nossa tão única linguagem. A razão apenas anestesia-se com uma profundidade que nem ela mesma pode compreender. 

Incomparável é a forma como você adorna cada cômodo de um lugar que tempos atrás mantinha a cor da poeira em seu chão e um cheiro embolorado em suas paredes. Hoje, seu cheiro. A marca de sua presença em cada parte de mim. Em cada andar, em cada quarto. Sou seu. Completamente seu.

Em meu sono você está presente. Pensar em você e lembrar cada gesto do seu jeitinho que tanto me encanta é sentir seu toque em meu rosto. De olhos fechados, vejo seu sorriso. Minhas memórias capturam e tocam o melhor sorriso seu. O adormecer é um sonho. Um sonho que me faz viver o sonho de ter você comigo em meu aconchego.

Nem mesmo a ausência tira você de perto de mim. Você habita em meu coração. As chaves são suas. Todas elas. Ele é sua morada perpetuamente. E, em mim, você nele descansa. Isto é, quando não faz um reboliço na mais ajustada das minhas posições. Como pode um gesto tão singelo, tão doce causar um tremor tão forte em mim?  

Esperança resgatada em letras borradas manuscritas num papel amassado encontrado por você debaixo do tapete das minhas emoções. Essa é você – aquela que tão cuidadosamente desamassou esse pedaço de papel já escurecido pelo tempo, leu, sorriu graciosamente e me devolveu, colocando-o em minhas mãos, fechando-as com as suas sobre as minhas e segurando-as, protegendo junto comigo o que havia de tão importante guardado dentro delas. Seu olhar gerou em mim a segurança de que aquela palavra foi restaurada em minha vida. Por você.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O amor e o tempo

I

O tempo é relativo. Por ser infinito, perde-se em sua relatividade. Em nossos sentidos físicos mais superficiais, contamo-no. Um segundo é apenas um segundo. Matematicamente, entretando, um segundo é ilimitado, a partir da proposição de que há centésimos, milésimos, milionésimos e outros infindáveis zeros acrescentados a um tempo que nos custa um erguer de mãos.

Um pensamento pode roubar-nos o tempo. Alguns deles nos capturam de tal maneira que surpreendem-nos o fato de termos passado tanto tempo ermos onde fisicamente estamos quando para nós mesmos pareceu apenas alguns poucos segundos. E assim definimos como apressado ou lento um tempo que é contado sob uma física precisa. Dentro de nós, ele é completamente relativo.

O amor é algo que nos tira todos os conceitos de tempo. Dá-nos novos. As infinitas horas que teimam em não chegar e a brevidade que furta os nossos mais preciosos momentos perto da pessoa amada podem representar bem essa inversão. Ou mesmo um flash, um olhar de segundos que se tornam eternidade em nossa memória. Um sorriso... Aquele sorriso! Uma imagem tão rápida que precisa ser paralisada ou relembrada em slow motion simplesmente pelo deleite de vê-la ininterruptamente em nossa lembrança, diretamente do nosso arquivo do amor. E aí o que duraria dois segundos ganhou o status de infinito.

Então, quedo-me em um questionamento: É o amor que constrói o tempo ou o tempo que constrói o amor?

Dizem que é preciso tempo para amar alguém. Ouso perscrutar dois conceitos: paixão e amor - pois são diferentes. 

Paixão não manifesta critérios. Simplesmente acontece, teimando contra todas as nossas convicções (Apesar de acreditar que essas mesmas razões são capazes de combater um semtimento inconsequente. Mas, ainda assim, se precisa ser combatida, é porque chegou.) e quebrando algumas barreiras. Ou todas, se assim prmitirmos. A paixão é inconstante, extremista. Por assim ser, visita picos de efemeridade. É sasonal, passageira.

Seria, então, o amor uma paixão amadurecida? Isso seria uma paixão habituada. O desconhecido sentimento de início passa a ser processado, concebido e presente, mas algumas vezes sem um fundamento maior. Amor é uma decisão, baseada em princípios, em convicções. É a decisão de fazer feliz a pessoa amada, de passar todos os dias de vida com aquela pessoa. É saber de porquês. O amor é linear, equilibrado. A decisão de amar molda a paixão, alinhando-a e tornando-a o melhor dos sentimentos a ser desfruado por um casal. O foco da decisão de amar tira o egoísmo da paixão, mas mantém a chama do prazer acesa; garante a constância e a harmonia mesmo nos dias de diferenças emocionais.
Refletir sobre isso me leva à conclusão óbvia de que, se posso decidir amar hoje, o amor não depende do tempo. O tempo pode passar em sua soberania, levar gerações, transformar eras e uma decisão não ter sido tomada. Terá sido em vão. Nada sólido terá sido construído ao longo do... tempo. Sem amor, destarte, o tempo é limitado. É incerto. Por outro lado, se há amor, o "até que a morte os separe" será edificado sobre sólidos alicerces. Todo o tempo, o presente e o vindouro, dependerão do amor e de suas construções.

Não é o amor que depende do tempo; é o tempo que depende do amor. Porque é o amor que constrói o tempo; não o tempo que constrói o amor.

______________

II 

Um mês. Trinta dias mensuráveis num calendário, no entanto fora de todos os padrões e de toda a lógica numérica quando penso em você, meu amor. O tempo com você parece infinito, incalculável. Basta-me pensar no seu sorriso que me toma e o tempo para. Vê-la sorrir me satisfaz, porque em meu íntimo sinto a reflexiva sensação de realização por fazê-la feliz. O seu carinho, a sua atenção e o seu cuidado extraem de mim a agitação do tempo. Infundem a serenidade. Acalmo-me com sua voz; mas sempre conto as horas para ouvi-la novamente.

Um mês. Tanta intensidade. Vida. O amor tem construído o nosso tempo. Temos a virtude da eternidade. Ela faz parte da essência de Deus e Ele próprio nos aliançou, quando ainda sequer nos conhecíamos. "É como se nossos espíritos já se conhecessem há anos".  Vi em você a escolha dEle para mim - como pude ignorar por tanto tempo o conceito de "alma gêmea? (risos) - e não receei em aceitá-la como minha. Minha mulher. Poderia repetir isso inumeradamente tão-somente pela vaidade de ter você, Juliene Raposo, como minha esposa. Sim, minha esposa. Assim o amor constriuiu o tempo. Você tem toda a beleza que cativa meu coração. Incrivelmente tem posse de todas as chaves que abrem o mais íntimo de mim.

Um mês. Sou muito feliz ao seu lado... E também creio, assim como você, meu amor, que nosso melhores momentos estão por vir. A lógica - a lógica que cala o tempo - não me permite pensar diferente. Submissos àquEle que é dono dos tempos, com quem aprendemos o que é amor e por Quem o temos construído, apenas espero o tempo de sermos um e podermos provar do ilimite do que Deus nos define, para que tenhamos uma noção e certa compreensão, como 'melhor da terra'. 

Amo você... E o tempo reverencia.




terça-feira, 15 de novembro de 2011

Lembranças...

As palavras passeiam diante de meus olhos; algumas capturo. O refulgir de sua essência em minhas mãos a cuidadosamente segurá-las ilumina em minha memória um momento infinito. Interminável pela suave e incessante repetição de cada doce minuto reprisado e pelos sentimentos que me enchem enquanto me permito o deleite de pronunciar o nome dela ao fundo de cada memória. Uma voz sem ecos, pois não há barreiras que a traga de volta. Cada tom que emito a cada suspiro compõe uma canção que meu coração remete a ela. E só seu coração pode ouvir essa melodia.
Deixo ir e voltar ao vôo a palavra que me levou a outra dimensão. Enquanto ainda anestesiado pelo nome que se apropriou graciosamente de todo o meu interior – de todo de mim, em precisão, quando pondero que meu toque, meus beijos e meus olhares também são dela –, outra imagem paira diante de meus olhos. Seu sorriso. Ele me para. Esforço-me para aperfeiçoar cada sentido meu, ainda que por alguns breves segundos, a fim de capturar com todos os detalhes aquele mágico e impagável momento. Por vezes, aposto no ridículo, ou no inocente, com a paga de vê-la sorrir. Tão-somente por isso. Porque seu sorriso me realiza; porque amo certificar seu coração preenchido, mesmo com tantos limites meus.
Limites. Busco em mim mesmo uma superação. De fato, o vôo que ela me leva a voar faz-me sentir sem limites, mas os percebo novamente quando repito, na expectativa de que vai ser inédito, o que todo o meu interior em coro não se cansa de cantarolar. A despeito disso, cada vez que deixo fluir pela minha boca o precioso corolário dos meus sentimentos, o Eu te amo, amor, apesar de que com os mesmos fonemas, tem um valor renovado em sua inspiração para dizer. É como se falasse em um idioma diferente, com uma força diferente. Descobri, assim, um novo ofício em mim, o de neologista, pois nunca dantes tinha me apercebido que um número milhar é tão escasso para manifestar a precisão e a intensidade do quanto eu a amo. Preciso de novas palavras, de novas línguas.
De volta ao ambiente em que estou, dou-me conta de que a atmosfera sorri ternamente ao me trazer cada lembrança, enquanto o vento diligentemente se encarrega de trazer o cheiro dela; as marcas na terra até o banco onde me assentei lembram-me que há um abraço que me envolve, sereno e amável, enquanto sonho acordado com a dona desse doce abraço que me tomou completamente para si. Para o sempre.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O fim de uma caminhada

... em uma estrada cujo horizonte era o limite. A observar, a sentir, a apreender. A introspecção fez do eco interior o maior conselheiro. Quantas vezes ouvia apenas o som das folhas revoando ao meu redor. Tantas vezes sentia a presença somente do vento, a me abraçar e a tentar me fazer compreender uma canção que assobiava em meus ouvidos.


Atrás de mim, as pegadas de uma história já não tão visíveis. Apagas, a tirar todo o eufemismo. Foi um considerável tempo até o ponto em que o horizonte parecia ter sido alcançado. O mesmo vento que me acolheu soprou do chão todas as antigas marcas. O que se via a partir de então eram os passos que se dirigiam, sem que eu percebesse, a um lugar que me esperava. Eu não sabia.


Identifiquei, ao longe, um banco. Lá havia alguém...










** Este breve texto marca, definitivamente, o fim de uma era neste blog. Agradeço aos que incentivaram, pela leitura ou pelas opiniões; aos que republicaram, divulgaram; aos que foram sobremaneira carinhosos e pacientes. "Agora, o Andarilho achou um banco e lá se assentará". (Publicação Original: 27/10/11, às 07:46)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um lugar chamado lembrança

Procuro meu reduto, pois lá encontrarei os pedaços rasgados do papel que eu lentamente deixava escapar das minhas mãos e se espalhavam pelo chão com o silencioso vento que cumpria sua rotina. Sim, precisava recapturar as memórias que, pedaço por pedaço, me trariam de volta a minha razão de pensar.

Meus pensamentos me levaram para longe, mas me carregaram consigo. E todos os sentimentos. Enquanto isso, alguns pedaços daquela folha marcada por escritos à caneta eram carregados para longe, pelo sopro que vinha da janela ou talvez pelas defesas do meu coração. Seria uma história, portanto, que, mesmo refeita, não mais seria completa, já que os desaparecidos fragmentos eram os que guardavam as grafias em negrito.

Em meus voos pelo inalcançável, refleti sobre liberdade. Quantas vezes desejei sumir ou, no mínimo, ir para um lugar onde nenhuma lembrança ou quaisquer vozes poderiam me achar. Um lugar sem mutualismos; com uma paisagem diferente da que servia de plano de fundo para meus contos, conforme se constutia na imaginação de quem lia aqueles manuscritos. Envelhecidos de tanto serem dobrados, lidos e redobrados, mas ainda perfeitamente legíveis. Desejava mudar todo o meu exterior, com molduras novas e uma pintura diferente ao redor.

Ponderei em tom definitivo que, tendo rasgado aquele papel e me escondido num lugar profundamente meu, eu estaria livre. No entanto, esqueci-me por alguns instantes de que eu mesmo havia usado aquela caneta para, em tempos constantes - levando em conta a intensidade do que precisava descrever nas linhas do meu coração -, anotar o que, olhos fora do papel, ecoaria em minha memória, latejando a cada pulsar.

Minhas pupilas se contrairam, como processo inverso ao que ocorre quando nos perdemos em pensamentos. Sim, eu estava de volta. Um forte suspiro e os olhos percorreram lentamente cada recôncavo daquele lugar. O vento, sob um céu nublado e monocromático - assim captava meu olhar a buscar um tom diferente pela janela -, percorria indiferente os lugares que o olhar não concebia; não acalentava como outrora; não trazia uma canção como um dia foi; apenas cumpria seu papel, silencioso, impessoal.

Obervar espalhados os pedaços de uma história, escrita e guardada por mim, agora rasgada de forma que nem uma só frase sequer faz sentido - porquanto não se completa em sua inteira ideia até que o quebra-cabeça daqueles fragmentos seja minuciosamente refeito -, traz-me definitivamente de volta ao meu mundo.

Frustrado, ao reclinar minha cabeça e ajustar o foco dos meus olhos sobre meu colo, percebi o caderno com a folha de baixo da arrancada limpa. Eu poderia escrever uma nova história. No entanto, quando aproximei os olhos da folha vazia e alva, a ponto de escrever a primeira letra que inauguraria um novo tempo, percebi em baixo-relevo a marca das letras escritas na página de cima. Eu a havia arrancado, rasgado em pedaços espalhados, mas marcas do que havia construído - ou escrito - permaneceriam por algum tempo. Folheei para a próxima página e continuei a ver aquela história gravada, ainda que sem tinta, a ressair da superfície natural daquela folha. Mudei para a seguinte... e ainda via. Com menos força, mas ainda via.

Dei-me conta de que, como não poderia arrancar as páginas não escritas da minha vida, teria de conviver com as lembranças de uma passada, mas não esquecida, vivência. Foi quando me apercebi de que minhas emoções nunca me abandonaram. Eram as mesmas ali e pra onde eu fosse. Minha liberdade tratava-se de um conceito ou um estado interior. Independentemente do longínquo lugar para onde fosse, as palavras que escrevi continuariam, pelo menos por um tempo, a ser narradas dentro do meu coração.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A estrada

... quando, por um suspiro, as palavras debruçam-se a admirar, esquecendo-se do seu papel de descrever. Decidiram por apenas sentir, tocar uma essência, ao invés de carregar as suas próprias. A beleza que os olhos não conseguiam enxergar, mas o coração entendia perfeitamente, anestesiou um processo natural de manifestar. Apenas a mente, em um esforço para também não sucumbir ao coração, manteve-se em lucidez. Mas, da mesma forma, contemplava.

Uma estrada foi descoberta. Por muito tempo, permaneceu como um caminho mítico. Um dia conhecido e percorrido - de onde quem um dia acompanhou essa trajetória pode descrever alguns contos -, mas há gerações tido como inexistente.

De lá se ouvem histórias fantásticas, contudo, a seguir a essência da palavra que as descrevem, não verdadeiramente reais. Sob lembranças e esquecimentos, mundos mudaram e pessoas passaram. Hoje, por quem inolvidavelmente narra breves prosas, é uma estrada abandonada. Grandes plantas cercando-a, pedras esverdiadas do limo que deu tom às margens da terra que não mais guarda pegadas.

Alguém, no entanto, com um olhar diferentemente atencioso, acreditou haver essa estrada e decidiu desbravá-la. O portão estava fechado, com um cadeado intimidante e visivelmente bem trancado. A despeito disso, no entanto, os passos sutis que aproximavam aos meus ouvidos um sorriso puro e uma voz doce chegavam mais perto das grades enferrujadas, reflexo do que era intocado havia estações. A atitude confiante de abrir aquele ferrolho aparentemente imovível a permitiu certificar-se de um caminho que, de acordo com suas próprias convicções, a levaria a um precioso lugar.

Entrou, sentiu uma agradável brisa e parou, sentindo-a. Era o mesmo vento que levava seu cheiro e carregava a melodiosa cantiga dos pássaros, afoitos com sua chegada, a um coração, calado, mas cativado por cada pegada deixada em suas terras outrora selvagens.